Black Books

Em algum lugar perdido da internet, uma vez, há algum tempo, eu li acerca de uma série britânica sobre um vendedor de livros que não gostava de clientes – sim, um Alta Fidelidade só que com livros. Rezava a lenda que se chamava Black Books.

Depois de um certo garimpo e alguma dificuldade – desistam de legendas em português – consegui começar a assistir à série. E valeu todo o esforço.

Black Books conta a história de Bernard Black (Dylan Moran), uma maluco completo, beberrão e viciado em livros que tem uma bookshop – seria como um sebo aqui no Brasil – e que, como prometido, detesta seus clientes (e todos a sua volta, também) e odeia ter que vender seus livros. Sua vida começa a mudar quando conhece Manny (Bill Bailey), um contador tão maluco quanto, mas muito mais benevolente e com senso de humanidade. Juntam-se a eles  Fran (Tamsin Greig, de Episodes), que trabalha numa loja ao lado e volta e meia faz parte da turminha da pesada que apronta várias confusões das loucuras dos outros dois.

Black Books segue a linha do humor nonsense, abusando de situações absurdas, que invariavelmente nos fazem rir bastante. Não por acaso um dos criadores e roteirista da série é Graham Linehan, criador da excelente The IT Crowd. Black Books foi ao ar a partir de 2000, dessa forma parece ter sido o laboratório que Lineham precisava para criar The IT (que também tem dois desajustados cercados por uma mulher, fórmula parecida). Porém, o roteirista só escreve na primeira temporada, a partir de então quem assume como showrunner é o próprio protagonista, Dylan Moran.

Seguindo a linha de outras produções da terra da Rainha, Black Books é curtinha: tem só três temporadas, de seis episódios cada. Ou seja, excelente para se fazer uma maratona, mas sempre deixando aquele gosto de quero mais. Até agora me contive e estou assistindo a conta-gotas, tendo visto somente uma temporada. Porém, do que vi até agora é impossível não indicar e passar adiante, pois trata-se de uma excelente comédia, que além de trazer o fino do humor britânico faz referências bacanas, especialmente para quem convive num meio literário.

PS: O Piloto – além de excelente – traz um Martin Freeman jovenzinho, em participação especial, ótima referência para os fãs de Sherlock (entre outros, é claro).

Anúncios
Publicado em Indicações, Resenhas | Marcado com | 2 Comentários

Annie Hall

Tem coisas que são tão óbvias que às vezes parecemos não acreditar que não conhecemos. Não sei quantos filmes do Woody Allen já vi, nem desde quando me considero fã do trabalho dele, mas uma coisa me incomodava: eu ainda não tinha assistido Annie Hall!

O que me agrada na obra do Woody Allen é a identificação que tenho com seus personagens (alter egos?). Eu entendo aquele sujeito ranzinza, de humor afiado e neurótico ao extremo. Eu sou um pouco desse jeito. O retrato de Allen, na maioria de seus filmes, é do judeu nova-iorquino, extremamente consciente de sua posição do mundo e nervoso com a idiotização do mundo e das pessoas à sua volta. Annie Hall (e me recuso a dizer o “nome” que deram por aqui) é um prato cheio para quem aprecia a genialidade de Woody Allen, piadas sensíveis (humor não precisa de risada gravada, vê se entendam isso!), amores reais, sarcasmo e pessimismo desfilam por entre os 90 minutos de tela.

A história é sobre um humorista (Allen) e sua relação com a Annie Hall do título (Diane Keaton, ótima!). Mas isso é só o pano de fundo para a visão de Allen sobre relacionamentos, vida adulta, cultura, morte e vida e New York. Qualquer sinopse não conseguirá captar a densidade e a intensidade do filme. Não preciso dizer que adorei e, claro, me lamentei por ainda não ter assistido este que muitos consideram a obra-prima do diretor.

Mas por outro lado, fico contente de ter chegado agora ao mundo de Annie Hall. A sincronia com coisas que tenho pensado, vivido e sentido ultimamente parece quase inacreditável. Ver a perspectiva de Woody Allen se aproximar de coisas da minha – distante – vida, só mostra o poder da obra desse cara genial, capaz de romper os limites da sua New York.

A “lição” de que a única saída para os problemas é fazer arte, não poderia ser mais reveladora para mim, que, acho, já faço isso. Enfim, não é à toa que Annie Hall é tão significativo – sendo referência em vários filmes/séries – afinal temos Woody Allen em sua essência. E mostrando seu melhor.

Publicado em Divagações, Resenhas | Marcado com | Deixe um comentário

tributo ao yhf

Para quem não sabe tá rolando um tributo ao Wilco, em comemoração aos dez anos de lançamento do disco Yankee Hotel Foxtrot (carinhosamente chamado, também, de yhf). Como quem está organizando tudo é o brother Luiz Espinelly (ex-Young), eu paguei para fui convidado a participar.

E como eu tinha possibilidade de escolha, fui direto em uma das minhas preferidas. Inocência minha. Quanto mais se gosta de algo, mais difícil de fazer uma homenagem. O texto saiu, mas, como diria Borges, uma pessoa não escreve o que gostaria de escrever,  e sim o que é capaz de escrever. Ainda mais quando vi que entre os escribas há pessoas cujo trabalho admiro, como André Takeda e Marcelo Costa. Desta feita não sei se estou inteiramente contente com o resultado final, mas até que gostei dele, me afeiçoei, como um filho maldito. Bueno, sem mais delongas, aí vai meu texto, meio ficcional, meio impressionista, para uma das melhores músicas do yhf e do Wilco (in my opinion):

Kamera

Tudo começa com uma vontade de captar tudo. Nesta aventura pictórica nada se perderia, tudo seria registrado. Porém de repente se percebe uma mudança de foco, não é mais o reflexo, a imagem, que importa, mas o que fora perdido. E começamos a perceber que registrar tudo pode nos trazer más lembranças. A escuridão à espreita do que escapou da memória. Então é mais fácil quebrar o espelho, não saber o que houve ou por que aconteceu, de qualquer forma estamos perdidos na rua tentando reconhecer um rosto familiar. Um caminho de volta à tranquilidade perdida. Ao menos há a chance de tudo ter sumido no esquecimento. Mas não está tudo bem.

Publicado em Ficções, Indicações | Marcado com , | 2 Comentários

Maringá, o eu daqui e eu lá

Nesta última semana meu eu daqui (o virtual) acabou sendo um tanto deixado de lado. O motivo é que estava em Maringá (PR) para o 2º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários. Lá tive a oportunidade de assistir a falas de dois renomados autores no campo da Literatura/Estudos da Linguagem: Roger Chartier e Carlos Reis.

Mas foi a fala do primeiro (em um português difícil, mas esforçado) que mais me motivou a a refletir. Como se sabe, um dos assuntos na “moda” é falar das novas mídias e dos novos formatos através dos quais se lê hoje em dia. Para Chartier a mudança no suporte – do papel para o computador, not/netbook, iPad, tablet, etc. – é significativa para um novo olhar acerca da produção, e, especialmente, da recepção de Literatura.

Além disso, também pude assistir a algumas mesas e apresentações acerca do tema, que na minha humilde opinião ainda engatinha e, principalmente, aborda as novas tecnologias com um olhar deslumbrado, não raro, estranhado acerca do fenômeno.

Primeiramente, o que me intriga é que por mais que estejamos falando em mudança do suporte e de mídia, na maioria das vezes, o formato se mantém. Por exemplo, o famigerado e-book nada mais é do que um livro convencional digitalizado. Se pensarmos, também, que há muitos softwares que tentam fazer com que o e-book aja como um livro “normal” – virando a página, simulando a capa, a letra, etc. – mais nos damos conta de nosso apego à forma convencional de leitura. Houve mudança na forma como se lê? Sem dúvida. Mas a questão é: essa é uma mudança literária ou continuamos reproduzindo antigos formatos, apenas nos adaptando ao conforto/praticidade que as tecnologias nos proporcionam? Acredito que segunda desponte com mais força.

Porém, a primeira proposição acima também pode ser correta quando pensamos no conceito de hipertexto. Segundo a Wikipedia (sentiram a ironia?), hipertexto é o termo que remete a um texto em formato digital, ao qual se agregam outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso se dá através de referências específicas denominadas hiperlinks, ou simplesmente links. Ou seja, se há evolução na área literária a partir destes novos formatos, esta está na possibilidade de acessarmos novos textos, referências, imagens dentro do texto primeiro e assim entrarmos em um loop de informacionalidade/conhecimento que transcende aquele texto que iniciamos nossa leitura. Porém, durante o evento o que vi foi pessoas fugindo à questão do hipertexto como o diabo foge da cruz. É isso que me leva a seguinte questão:

Qual o lugar da crítica/reflexão literária nas “novas” mídias?

Ao que parece, assim como o livro “normal” a crítica acadêmica se mantém em seu lugar, parada, estática, analisando à distância um fenômeno em nome da tão propalada “objetividade científica”. Mas se não se está inserido no contexto é possível entendê-lo? O único espaço de reflexão da Literatura no meio virtual está relegado a pontuais blogs e/ou fóruns de discussão sem grande repercutibilidade. É claro que é possível, graças a ferramentas de busca, encontrar com mais facilidade artigos, livros e, até entrevistas, muitas vezes no já consagrado formato PDF. Mas isso é mera reprodução das antigas revistas e jornais acadêmicos. O que nos leva a uma frase excelente que ouvi durante o evento atribuída ao teórico Wim Veen:

“A Internet é, para aqueles da nossa geração, uma imensa biblioteca.”

OK, a frase pode não ter sido exatamente esta, mas a ideia é bastante pertinente. Para aqueles que não “nasceram com um computador no colo”, o mundo virtual é mera reprodutibilidade de produtos e ideias a que estão acostumados. No caso, da Literatura a Internet serve para disponibilização, mas não para produção de conhecimento.

É claro que estou falando aqui de duas coisas ligadas, mas distintas. Uma é a produção, formatação, distribuição e consumo de Literatura em ambientes virtuais e a consequente reflexão acerca disto. Outra é a reflexão da Literatura como um todo e sua, talvez possível, inserção em tais ambientes.

Tais questões me instigam e o evento em Maringá – que não foi de todo ruim – ficou longe de pôr alguma luz sobre elas. Pelo contrário, suscitaram mais dúvidas e questionamentos e me motivaram a ir em frente com alguns textos que eu havia deixado pelo meio do caminho e que retomarei para divulgar por aqui. Quanto às respostas, me recuso a bater o martelo, a ser definitivo. Acho que há muito ainda que se discutir e a reflexão se faz extremamente necessária.

Publicado em Divagações, Opinião | Marcado com , , , | 2 Comentários

The Sorry Shop, o show

Em um espaço mínimo, algumas dezenas (centenas?) de pessoas se acotovelavam, disputavam cada centímetro, esperavam ansiosas. E tudo isso em um evento em que, no próprio nome, se priorizava o Rock. E – acredite-me – isso aconteceu em Rio Grande.

Apesar do limitado espaço, ninguém se preocupou com isso, afinal estávamos lá para o show de estreia da The Sorry Shop, projeto criado pelo multitarefa (e multitalentoso) Régis Garcia. E mesmo que o show tenha sido curto – proporcional ao espaço físico – a experiência foi pra lá de positiva.

Régis Garcia, o cara por trás da The Sorry Shop.

A The Sorry Shop se materializou através do cabeça Régis Garcia no baixo, Rafael Rechia e Kelvin Tomaz quebrando tudo nas guitarras, Eduardo Custódio na batera e Marcos Alaniz nos vocais. Além deles, Mônica Reguffe também – em uma participação pra lá de especial – soltou a voz.

O que foi visto ontem no Mr. Pub – apesar das críticas quanto ao espaço, devo dizer que há muito não via um lugar assim em Rio Grande, com uma energia assim, tomara que continue – fez jus ao que se ouviu no álbum de estreia, Bloody, Fuzzy, Cozy, lançado este ano e com ampla repercussão na internet afora.

Como disse, o show foi curto, apenas cinco músicas do CD foram tocadas, em pouco mais de meia hora. Ficou um gosto de quero mais, que deve ser saciado em breve. Veja abaixo uma amostra do que foi visto lá ontem.

SETLIST:

Gone Again
About Kings and Queens I
Sometimes I’m Down
Dressed to Fool
Walk Away (And Don’t Come Back)

Para aqueles que querem conferir o trabalho da – agora, sim – banda, vale a pena baixar o álbum e ouvi-lo, de preferência no repeat, tendendo ao infinito. (clique na imagem abaixo pra baixar)

Para aqueles que perderam a oportunidade ontem, digo que não bobeiem da próxima. Porque nem todo Winamp consegue passar o que a The Sorry Shop passou ontem. Deixo com vocês o clipe da música Sometimes I’m Down, do qual eu, orgulhosamente, fiz parte.

Crédito das fotos: Daniel Correa (Flickr)

There’s no better way to say goodbye (and I’m sorry).

Publicado em Indicações, Resenhas | Marcado com | 2 Comentários

Da falta de tempo (ou indicações para quem o tem)

Na velocidade em que vivemos, às vezes lamentamos que os dias têm apenas 24h não é verdade? Porém, cada vez mais dividido em duas vidas – a real e a virtual – o sujeito contemporâneo tem mesmo que se desdobrar para dar conta de tudo nos dois “meios de vida”.

Como tendo a me perder e priorizar uma ou outra, volta e meia preciso me desconectar da virtual para as coisas funcionarem na real. E em tempos de afunilamento das disciplinas do Mestrado, ficam cada vez mais leituras para o já escasso tempo. E nesse caso a prioridade é evidente. I’m sorry, bloga!

Nesse meio tempo em que fiquei sem tempo, rolou aqui na blogosfera minha coluna de estreia no Blog do Coletivo Fita Amarela. Devido minha falta de criatividade, a coluna se chama canhestramente Letra Amarela e se propõe a discutir Literatura. Tarefa um tanto árdua em tempos de Internet, mas um desafio que me agrada.

Convido, então, todos a visitar a coluna (assim como outras por lá, vale a pena):

Você tem fome de quê?

Para quem não conhece o Coletivo, basta dar uma olhada no blog e nas ações que essa galera tem promovido para valorizar a cultura riograndina.

Outra boa dica de leitura (para quem está com tempo) também tem ligação com o Coletivo.

É o blog De solas e asas, da Andréia Pires.

A Andréia – que além de escrever bem pra caramba foi quem me convidou para colaborar no blog dos Fitas – está também lançando seu primeiro livro, que tem o mesmo nome do blog.

Quem quiser garantir um exemplar, basta acessar o blog – mais precisamente aqui – e ver como proceder para receber, em casa, um exemplar autografado. Garanto que não irá se arrepender! (o que pode ser comprovado pela leitura do blog dela)

E voltando a temática do tempo (e da velocidade), aproveito para dizer que não percam tempo e cliquem nos links acima (:D). Com certeza sua vida não-virtual também agradecerá!

Publicado em Divagações, Indicações | Marcado com | 2 Comentários

PROMOÇÃO RELÂMPAGO – Aos fãs de Lost…

Hoje, 23/05, faz dois anos que Lost se foi (let it go! :D), já falei várias vezes sobre essa série que me marcou – por mais que se discorde do final controverso – inclusive neste espaço bloguístico (veja aqui). Porém, dessa vez serei prático: o blog oferecerá um livro para um fã de Lost.

O livro em questão é baseado na série, ou seja, se passa no universo da série, MAS não necessariamente tem a ver com a série (até porque se passa no intervalo de tempo da primeira temporada o que garante poucas revelações). Porém, para quem é/foi fã da série é uma leitura interessante, até por poder voltar ao universo mágico da Ilha.

Lost – Sinais de Vida, de Frank Thompson

Este livro foi produzido na esteira do sucesso da série, junto com outros dois (Risco de Extinção e Identidade Secreta; um terceiro, Bad Twin, também foi lançado, mas este de intensa ligação com a mitologia da série) com o objetivo de arrancar dinheiro dos fãs da série alargar a mitologia e acrescentar coisas que na TV não apareciam. Não acho que deu muito resultado, mas a leitura, em si, vale a pena.

Mas chega de delongas, vamos ao que interessa. Para ganhar o livro, basta responder às quatro perguntas abaixo (relacionadas à série) nos comentários do blog:

1 – Qual era o nome do cachorro do Walt?

2 – Qual música Desmond ouvia enquanto Locke e Jack dinamitavam a escotilha (o disco parou com o impacto)?

3 – Com qual nome Ben se apresentou para o grupo (o homem do balão)?

4 – Quem repousava na sombra da estátua?

Perguntinhas fáceis, hein! Agora é com vocês!

Boa sorte!

Publicado em Promoção | Marcado com | 3 Comentários