A velha das ervas, um projeto do passado e do futuro [DOWNLOAD]

Em 2008, estava eu em minha primeira (frustrada) aventura pelo mundo da pós-graduação. Como a então inaptidão ao mundo acadêmico me frustrava, me sentia compelido a buscar outras atividades, até mesmo como desculpa procrastinadora para não me ocupar daquilo que me causava a frustração. Nesse contexto que entrei para o Grupo de Estudos em Animação, da FURG, que havia sido recém iniciado por iniciativa de cabeças pensantes como Wagner Passos, Alisson Affonso e Ozi e que contava com grandes artistas como Eduardo Porciúncula, Anderson Mendonça, Tôni Rabelo, entre outros.

Porém, apesar do privilégio de ter participado e frequentado reuniões com caras desse nível, infelizmente minha participação não foi tão efetiva. É claro que aprendi muita coisa, mas uma contribuição, real, minha não surgiu como forma de pagamento. Talvez ideias soltas, palpites, mas nada muito além disso.

Enfim, como dizia, a participação neste grupo foi uma experiência da qual muito me orgulho, especialmente por ter conhecido e convivido com tanta gente criativa. O grupo, mesmo tendo uma duração curta para seu tanto de potencial, teve seu sucesso, inclusive vencendo o renomado AnimaMundi na categoria “celular”, com o vídeo Maracão, e tendo o vídeo Poeminho do Contra exibido na RBS, no projeto Histórias Curtas.

Mas o assunto desse post não é o GEA (poderia ser, mas não é). No entanto, essa introdução se faz necessária pelo simples fato de que o projeto “A velha das ervas” – e minha participação nele – tem uma relação muito grande com o grupo de animação. Dentre as figuras que frequentava o grupo estava um guri – à época – de grande talento e codinome Índio. O Índio era aluno do ArtEstação e tinha participado, através da oficina que frequentava lá, de uma atividade de visita à Ilha dos Marinheiros e ouvido lá várias histórias, lendas, do pessoal da localidade. Estas lendas, tão significativas e curiosas, motivaram o pessoal do ArtEstação, através de iniciativa da Célia Pereira e do Miguel Isoldi, a produzir o que, a princípio, seria uma série de livretos contendo variadas lendas da Ilha dos Marinheiros.

Não sei bem o motivo, mas o Índio foi convidado a ilustrar um desses livretos, o primeiro deles (que, infelizmente, acabou sendo o único), o que contava a lenda da Velha das Ervas. Como o Índio frequentava o GEA-FURG acabou pedindo ajuda para um dos roteiristas do grupo – ainda circulavam por lá com muitas ideias, mas pouco intimidade para o desenho o André Darsie Oliveira, o Sandro Martins Costa Mendes e o Caio César -, no caso, eu. E foi assim que acabei entrando no projeto “A velha das ervas”.

O processo não foi muito difícil. O Índio me contou a lenda e eu produzi uma série de frases, que combinassem com uma ilustração de uma página, e tivessem uma narratividade coerente, além de criar um clima de suspense necessário àquela história. Com base no que tinha ouvido dos moradores da Ilha e nas frases que eu criei, o Índio fez as – ótimas – ilustrações e, assim, o livro saiu do – ou para o – papel. A edição ainda teve a colaboração do grande Marcelo Calheiros, à época professor da FURG e do ArtEstação, e do Alisson Affonso, fazendo a editoração, diagramação e costura dos não muitos exemplares.

O livro acabou sendo lançado na Feira do Livro do Cassino de 2009 e eu, orgulhosamente, estava lá, para a primeira sessão de autógrafos da minha vida. Na companhia do Índio, que inteligentemente fez um carimbo com a icônica imagem da velha do título, passamos a caneta em vários livrinhos.

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O livro foi um sucesso na Feira, mas infelizmente não havia muitos exemplares – eu mesmo só tenho um. Até hoje, pessoas me perguntam sobre o livro e gostaria de adquirir, mas infelizmente não sei como – nem sei se tem como, acho que não. Então, com a devida autorização dos responsáveis, resolvi disponibilizar o livro para download.

Então, galera, antes tarde do que nunca, com vocês “A velha das ervas”, de Ricardo Índio e Paulo Olmedo.

A velha das ErvasA VELHA DAS ERVAS

Mas o título do post fala em futuro, não é? Pois então, o projeto não parou por aí. Ano passado, por iniciativa do Miguel Isoldi o então livro virou um curta! O próprio Miguel compôs uma música baseada no material anterior. O curta foi selecionado através de um edital e, por enquanto, ainda não está disponível online. No entanto, já é possível ver um making of, a direção é de Law Tissot, do trabalho.

Então, a Velha das Ervas não morreu. Anda por aí, ainda, rendendo frutos. E eu continuo orgulhoso, por ter feito parte disso.

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