Vila da Quinta, 28 anos depois

Dia dos Pais, reunião de família. Por mais comercial que a data seja, se a família é grande – como é a minha – o único jeito de se reunir são nessas datas específicas. Especialmente quando essas datas são em domingos.

Assim, volta e meia temos aqui aquela tradicional conversa sobre os velhos tempos, lembranças, rememorações e para ilustrar tudo isso vem junto os tradicionais álbuns de fotografias. Com toda a evolução tecnológica, estes objetos estão ficando obsoletos. É difícil imaginar, no futuro, alguém manuseando um álbum de retratos (a própria palavra “retrato” já está em desuso), a menos que seja em algum plataforma virtual, com recursos de software e tudo o mais. Ou seja, um pouco dessa poesia nostálgica que só a palpabilidade das coisas nos apresenta está se perdendo. Por outro lado, porém, há a perecibilidade dos objetos e talvez o meio virtual seja mesmo o melhor para armazenar tais lembranças.

No entanto, hoje essa capacidade de deterioração ficou mais evidente para nós, participantes de nossa pequena reunião. Um dos mais queridos e bonitos álbuns da nossa coleção sofreu recentemente um pequeno acidente envolvendo umidade. Algumas fotos grudaram umas nas outras ficando, assim, danificadas. Engraçado que, antes, estas mesmas fotos eram apenas mais algumas, mas com a possibilidade de perdê-las para todo o sempre parece que seu valor tanto como documento quanto peça de estimação parece redobrar.

Desta forma, me veio a ideia – nada original, confesso – de refazer duas dessas fotos. Minha sorte é que tenho familiares tão malucos quanto eu e que toparam o desafio. E 28 anos depois daquele março de 1984, lá estão eu, minha irmã Rosimeri e meus pais, ao fundo a paisagem da Vila da Quinta. Como acompanhamento, as fotos originais, infelizmente danificadas para sempre.

Interessante ver o pequeno processo de urbanização que sofreram as imediações. Quando eu era criança as casas podiam ser contadas nos dedos, as ruas raramente suportavam veículos e a flora nativa cresciam sem problemas (vulgo mato!). Hoje ainda estamos um pouco longe de dizer que somos uma pequena cidade, mas as casas, a maioria de alvenaria, contrastam com o vazio do horizonte de outrora.

Ruas nasceram, torres de telefonia foram erguidas, as vias receberam precária “pavimentação” (saibro) para que a linha de transporte coletivo passe. A liberdade democrática é estampada em placas de candidatos – que não necessariamente condizem com minhas preferências eleitorais, que fique claro – que prometem progresso (sic) para a tão querida Vila.

A verdade é que crescemos e ganhamos peso (hehe), eu e a Vila. Mas ainda há algo daquela criança em mim, assim como a hoje inchada povoação também guarda resquícios da falta de estrutura que apresentava antigamente.

A diferença é que agora o álbum pode se deteriorar, não importa. Graças ao meio virtual, estamos eternizados: eu, minha família, minha Vila.

PS: Fotos e produção “artística” do meu sobrinho Éder Luís, que nem nascido era naquele longínquo 1984.

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5 respostas para Vila da Quinta, 28 anos depois

  1. Comovente, nostálgico e ao mesmo tempo muito engraçado.

    Lindo, Paulinho. =)

  2. Bah, teu pai querendo te abraçar e não conseguindo… muito quadro!! Ótima ideia, ri bastante.

  3. Paulo Olmedo disse:

    É que a circunferência agora é maior hehehe

    Valeu, gente!

  4. cintia disse:

    Paulo em Tangamandápio!
    Muito engraçado! Bjão!

  5. andreiapires disse:

    Adorei! 🙂

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