Annie Hall

Tem coisas que são tão óbvias que às vezes parecemos não acreditar que não conhecemos. Não sei quantos filmes do Woody Allen já vi, nem desde quando me considero fã do trabalho dele, mas uma coisa me incomodava: eu ainda não tinha assistido Annie Hall!

O que me agrada na obra do Woody Allen é a identificação que tenho com seus personagens (alter egos?). Eu entendo aquele sujeito ranzinza, de humor afiado e neurótico ao extremo. Eu sou um pouco desse jeito. O retrato de Allen, na maioria de seus filmes, é do judeu nova-iorquino, extremamente consciente de sua posição do mundo e nervoso com a idiotização do mundo e das pessoas à sua volta. Annie Hall (e me recuso a dizer o “nome” que deram por aqui) é um prato cheio para quem aprecia a genialidade de Woody Allen, piadas sensíveis (humor não precisa de risada gravada, vê se entendam isso!), amores reais, sarcasmo e pessimismo desfilam por entre os 90 minutos de tela.

A história é sobre um humorista (Allen) e sua relação com a Annie Hall do título (Diane Keaton, ótima!). Mas isso é só o pano de fundo para a visão de Allen sobre relacionamentos, vida adulta, cultura, morte e vida e New York. Qualquer sinopse não conseguirá captar a densidade e a intensidade do filme. Não preciso dizer que adorei e, claro, me lamentei por ainda não ter assistido este que muitos consideram a obra-prima do diretor.

Mas por outro lado, fico contente de ter chegado agora ao mundo de Annie Hall. A sincronia com coisas que tenho pensado, vivido e sentido ultimamente parece quase inacreditável. Ver a perspectiva de Woody Allen se aproximar de coisas da minha – distante – vida, só mostra o poder da obra desse cara genial, capaz de romper os limites da sua New York.

A “lição” de que a única saída para os problemas é fazer arte, não poderia ser mais reveladora para mim, que, acho, já faço isso. Enfim, não é à toa que Annie Hall é tão significativo – sendo referência em vários filmes/séries – afinal temos Woody Allen em sua essência. E mostrando seu melhor.

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