Gramática Expositiva do Chão, de Manoel de Barros

Conheci Manoel de Barros há não muito tempo. Acho que por intermédio do Sandro Mendes. Foi admiração à primeira vista.

Até então o pouco contato que havia tido resumia-se a ler o homi pela não muito confiável Internet ou pelas mãos de outros. Até que resolvi comprar um livro dele.

Gramática Expositiva do Chão foi lançado em 1966 e não foi o primeiro livro de Manoel. Mas nele já fazemos a poética sem regras, de rimas misturadas com elementos da natureza, de um pé no chão que dá vontade de trepar numa árvore e comer fruta do pé. E assim é a escrita de Manoel de Barros, algo onírica, algo natureza.

CHICO MIRANDA (na rua do Ouvidor)

– O poeta é promíscuo dos bichos, dos vegetais, das pedras. Sua gramática se apóia em contaminações sintáticas. Ele está contaminado de pássaros, de árvores, de rãs. (p.39)

O livro é divido em seis partes, cada uma com uma temática (ou um mote) diferenciado, mas todas passando pela história contada na primeira parte chamada Protocolo Vegetal: a descoberta de um livro de poemas de um sujeito desconhecido. No livro é possível ver a temática ligada à natureza e a desconstrução da linguagem típicas da obra de Manoel de Barros.

Seria o homem do Parque?

o homem tinha 40 anos de líquenes no Parque

era forte de ave

gafanhotos usavam sua boca

quase sempre nos intervalos para o almoço era acometido de lodo

à noite seria carregado por formigas até as bordas de um lago

madrugada contraía orvalho nas escamas e na marmita

(p. 13)

Por sua natureza fininha, Gramática Expositiva do Chão não é o melhor exemplar para se iniciar nas artes do bardo da terra, mas com certeza ajuda a aumentar o gosto por esse poeta que eu considero que todo mundo deveria ter contato (vale a pena, minha gente, procuraí!). Confesso que muitas vezes eu não entendo Manoel de Barros, apenas aproveito a experiência e acho que assim que tem que ser. Se eu analisar demais, acho que não estou sendo honesto com ele, não me gosto. Lendo Gramática Expositiva do Chão (como toda a obra de Manoel de Barros) apenas tentei me malambuzar no lodo de seu léxico, de ter com árvore, empassarado de suas rimas e ao cabo de tudo acabar sofrendo de borboleta tal lagarta.

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