Até os Gigantes caem

Ontem foi dia de luto para mais ou menos metade da Argentina. Pela primeira vez na história, o River Plate um dos dois maiores clubes de lá é rebaixado para a segunda divisão.

Como gremista, antes que venham as piadinhas, tenho experiência nesse tipo de situação. Meu time foi rebaixado duas vezes, sendo a segunda, mais recente, a que mais está marcada na minha cabeça. Porém, contrariando a lógica, e acreditando no batido ditado “há males que vêm para bem”, me atrevo a dizer que um rebaixamento faz bem a um clube. Deixe eu me explicar.

O Grêmio quando de sua queda era um clube viciado. Más administrações, dinheiro que veio fácil e que foi subtraído mais fácil ainda, diretores que se aproveitavam do clube, sucateamento das categorias de base entre outros problemas. Talvez não caísse. Talvez virasse um time moribundo, que faz campanha medíocre atrás de campanha medíocre e se salva no último instante. Mas o Grêmio caiu e algumas boas lições vieram dessa queda.

O time hipotético que não caía e que virava moribundo não é tão hipotético assim. Dá para considerar que o River é esse time. Não conheço a realidade dos bastidores do clube argentino, mas sei bem que há anos não disputa a Libertadores. Pelo menos não a ponto de ameaçar seus adversários, de ser candidato a título. E num país em que o futebol é polarizado, isso é grave.

No Grêmio, com a queda, vieram alguns dirigentes interessados, reestruturação das categorias de base, profissionalização de alguns setores. Resultado: desde que voltou à Série A o Grêmio sempre ficou entre os primeiros do Campeonato Brasileiro – sua pior campanha foi um 8° lugar, em 2009, ano em que chegou às semi-finais da Libertadores. O Grêmio ainda não voltou a ser o time temido da década de 90, mas parece estar no caminho certo, apesar de alguns deslizes volta e meia e de uma estrutura política arcaica.

Grandes clubes como Manchester e Liverpool já experimentaram a Segundona

Além do Grêmio outros clubes como Botafogo, Palmeiras, Atlético-MG e Corinthians experimentaram o gosto da Segunda Divisão recentemente. E voltaram com relativo sucesso, em especial estes dois últimos. Outro ponto “positivo” da queda é a relação com a torcida. É na hora da dor que a torcida mais abraça o clube.  O Grêmio, por exemplo, aumentou seu quadro social depois de voltar à Primeira Divisão. O Atlético-MG chegou a aposentar a camisa 12 em homenagem a sua torcida.

A lição que fica para quem cai, e que o River precisa assimilar agora, é não se deixar apequenar. Não se acostumar com a Segundona. Para um clube grande, fazer o famoso bate-e-volta é praticamente obrigação. E feito isso, basta colher os frutos que dessa experiência vêm, em especial o amor daqueles que não o abandonaram na tristeza.

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Uma resposta para Até os Gigantes caem

  1. Rody Cáceres disse:

    Cara, como sempre, nada sei deste assunto. Mas vim aqui para dizer que teu comentário no meu blog foi hilário auahuaah!!! Dei gargalhadas no meio da loja… Valeu!

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