Do Olé ao Zé

Escrevo esse texto no calor da derrota (meu celular ainda toca, caixa de mensagens cheia de colorados com razão). São 18:30h e o Grêmio acabou de entregar um título praticamente ganho nas mãos do Inter. E em casa.

O jogo em questão era uma final de campeonato. Não um campeonato maior, não uma Libertadores, não um Brasileirão, mas um título regional. Isso não minimiza o título, afinal como todo bom gaúcho, valorizo muito as coisas da nossa terra. Às vezes mais que as coisas de fora daqui.

O Grêmio tinha uma grande vantagem. Não uma vantagem impossível, mas algo que não se podia deixar perder. E o começo não podia ter sido melhor. Falcão, novato na função de técnico, inovou. E inovou errado. Começou com o time atrás, com D’Alessandro jogando fora do lugar e Damião isolado na frente. A exemplo do Gre-Nal da final da Taça Farroupilha, apesar de os papéis estarem invertidos, um time despontou arrasador graças ao erro do treinador adversário. E o Grêmio, o carrasco da vez, aproveitou a chance que Falcão lhe deu: em 25 minutos marcou seu gol e empilhou outras chances, todas desperdiçadas. Em menos da metade de um tempo, uma torcida já gritava olé. E com razão.

Porém, à semelhança do treinador gremista, o treinador colorado, também foi humilde de reconhecer que errou na escalação. Tirou o menino Juan – que além de ser a causa da improvisação de Kleber, estava nervoso e corria o risco de ser expulso – e colocou Zé Roberto, ainda no primeiro tempo.

A mudança na escalação, no esquema, mudou o time colorado como um todo. Ainda no primeiro tempo, o Inter movimentou o placar: mais graças aos erros táticos e técnicos do time do Grêmio, do que por alguma pressão absurda. Com a surpreendente virada, o intervalo veio.

No segundo tempo, só deu Inter. Talvez assustado pela virada do final do primeiro tempo, o Grêmio voltou recuado e aparentemente tomado por uma falta de vontade de ganhar. Do outro lado, Zé Roberto – que a torcida do Inter não vai muito com a cara – fazia uma excelente partida. Passava como queria pela deficiente – e mal arrumada – zaga do Grêmio. No meio-de-campo, com a queda de rendimento de Douglas, o Inter tomou conta e ficou evidente a deficiência na marcação do time gremista. E a partir de uma bobeira em uma cobrança de lateral, Zé Roberto foi derrubado por Victor na área e o Inter, que precisava de uma improvável vitória por dois gols de diferença, chegou lá.

A partir daí, o título colorado se desenhou e se afirmou. Afinal, merece uma vitória, um título, nem sempre o melhor, mas aquele que mais quer vencer. E o Inter era o único que parecia querer. O Grêmio lutou, brigou contra suas falhas, mas foi na falha alheia que o Grêmio “achou” seu gol. Um gol que levava a decisão para os pênaltis.

Ao contrário dos chavões, pênaltis – e a física me dá razão – são responsabilidade dos batedores. E o goleiro que consegue se impor sobre eles pode levar vantagem. Mas nessa decisão, ambos os goleiros sabiam se impor. Victor, um notório pegador de pênaltis, e Renan, inacreditavelmente recuperado da bisonha falha no jogo, travaram uma batalha digna. Depois de duas defesas para cada lado, Adílson – além de um bom volante, um gremista – parouem Renan. Etudo ficou nos pés de Zé Roberto. E o iluminado atacante, garantiu a vitória e o título do Inter.

Não estou arrasado, nem chateado pela derrota em si. Tenho medo de ter me acostumado às derrotas. É isso que me chateia. Essa derrota é apenas mais uma entre tantas. Todas anunciadas de antemão. Uma direção fraca, um treinador mais estrela do que Técnico (com T maiúsculo), desculpas esfarrapadas, mentiras inventadas, e pouco trabalho. O reflexo é um time atrapalhado, correndo errado e não sabendo sequer empatar um jogo que, de fato, podia ter sido ganho com facilidade.

Parabéns aos torcedores do Inter, o time que quis ganhar. O time que, por conta do segundo tempo, mereceu ganhar. O título não mascara os problemas vermelhos, mas é melhor do que sair de campo, em casa, de mãos abanando.

PS: Acho que nunca vi uma transmissão tão ruim da RBS, má escolha de câmeras, perda de lances, falta de replays, culminando numa filmagem ridícula da cobrança de pênaltis. A equipe de filmagem/edição foi tão mal que conseguiu fazer a façanha de tornar Paulo Brito e Saraiva o melhor da transmissão.

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3 respostas para Do Olé ao Zé

  1. Rody Cáceres disse:

    Cara, tu és o melhor cornista de futebol de RG… Tão bom o texto que me deu vontade de ver o jogo..

  2. prolmedo disse:

    cornista, não, olha o respeito huauhauhahua
    Fico feliz com o comentário e com o elogio. Achei que o texto seria um pouco complicado para quem não viu o jogo. Foi quase um desabafo. Viu? estou escrevendo em casa… hehehe

  3. Pingback: Fala sério, Thalita | Vida Irreal

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